stay a noiva vestia negro - o esquecimento de mim.








choram-se as lágrimas que não se choraram um dia.
coração pede. ninguém acorre à chamada.
borboletas voam no caminho de indiferença feita desculpas
a apodrecerem maçãs como olhar nos olhos desses homens
mulheres com uma pedra de gelo no lugar do coração.
grandes amores perfeitos entre os corações de ninguém. 

tu. o único. sem compreender gritavas agitando as asas: meu mar, minha montanha,meus pássaros.

eles a nada verem e a reverem os seus segredos, as vidas perfeitas. perfeitos os problemas, seus, deles. 
veste negro. põe véu. 
desculpem. não posso. não vejo. não aguento. morri.
eles. elas. eles. não tu. nós.

vinhas tu e o vento meu único irmão as pastagens do céu onde os anjos habitam. o dizer de gostar de saber que alguém me conheça. somos os olhos atrás dos montes, a pureza de uma manhã branca. somos o amor. ao fechar os olhos, vê. apenas  esqueceram esquecendo. 
o esquecimento de mim. homens, mulheres. 
o esquecimento de mim.

calem-se bocas  já não suportamos a tristeza sem ter de ser como que se quer magoar e chama nunca vimos chorar tanto como se fosse flutuar em mar de feitiços poeta de ser poeta. nóscontamos apenas o nosso paraíso e através da janela aberta fugimos indiferentes.

não não existo. 
muita gente jovem tanta gente jovem marés de gente jovem 
de mim ninguém esqueceram que existo a dor aqui no peito a minha vida agora sem ti esqueceram a minha alma a dor de ser minha a dor só minha ninguém a amar a minha tristeza foram-se todos todos nem um aqui nem um só tu. 

veste negro põe véu não deixes de vestir negro quem são vocês para dizer o dizer que devo fazer de vidas perfeitas corações de gelo o que devo fazer porquê o luto que vocês conhecem não é o meu. 
corro a cortina não mais a visão de ter de vos ver quem são não sei corro a cortina o muro instala-se

visto branco como o lírio.
o lírio que deposito no teu túmulo de homem feito romeu no dia dos teus anos, nessa morada onde agora vives.

desconhecem-nos.

Morri contigo à espreita.
C'est la vie - disseram.

|eu não sou eu nem sou o outro, sou qualquer coisa
de intermédio: pilar de ponte de tédio, que vai de mim
para o Outro|
Mário de Sá Carneiro



 
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